Se há uma ideia do amor que triunfou no Ocidente é aquela que foi extraída do mito do andrógeno: ser partido em dois, condenado à busca de sua outra metade para estar completo. Entretanto, essa concepção, como forma de mascarar a não relação sexual, está caindo.
Neste ano, três artigos de jornais do Chile1 divulgaram novas formas de formar casal. As denominadas Living Apart Together e as Together in Life descrevem como casamentos e relações de longo prazo decidem não conviver diariamente. As Only Weekend Couples descrevem casais que decidiram se encontrar apenas nos finais de semana.
As razões destas três tendências são similares: por um lado, o não viver juntos fortalece o vínculo, mantém a chama na relação, evita conflitos cotidianos e a relação prospera. Por outro lado, acentua um maior enfoque individual e profissional, mantendo a autonomia, os hábitos, costumes e intimidade pessoal.
O denominador comum desses vínculos é a primazia do indivíduo sem perda, e a crença numa forma de relação sem conflitos. Ambas, se sustentam sob a condição da exclusão dos corpos.
Outra das tendências observáveis é o declínio do casamento e o aumento do acordo de união estável. Esse acordo foi o resultado da iniciativa do Movimento de Integração e Libertação Homossexual, que teve como objetivo principal concretizar o reconhecimento e formalização das relações homossexuais. Os críticos a rotularam de um casamento light e que os casais heterossexuais não optariam por essa nova forma. No entanto, isso não tem sido assim. Em 25 de junho de 20252, o Instituto Nacional de Estatística divulgou um aumento de uniões estáveis em 17,1% das quais 88,6% teriam sido de casais heterossexuais. Diferentemente do casamento, para a dissolução de uma união estável é preciso apenas da vontade unilateral e o estado civil da pessoa volta a ser o mesmo de antes do acordo, isto é, solteiro(a), e não divorciado(a).
Essas novas tendências levam a marca da aposta por um vínculo com facilidade para terminá-lo, que não deixe registro da passagem pela dita relação ou o evitamento do encontro corporal.
Aparentemente, manter a outra metade o mais afastada possível é o novo arranjo frente ao não há relação sexual.
[1] Cf. El mostrador (2025,02,07), "Parejas OWC, la tendencia amorosa de solo fines de semana: ¿balance de independencia y compromiso?". Disponível em: https://www.elmostrador.cl/braga/2025/02/07/parejas-owc-la-tendencia-amorosa-de-solo-fines-de-semana-balance-de-independencia-y-compromiso/?utm_source=chatgpt.com Acesso em 15/12/2025.
Cf. Biobiochile.cl (2025,06,02), "Juntos, pero no revueltos: parejas TIL, la nueva tendencia en relaciones amorosas". Disponível em: https://www.biobiochile.cl/noticias/vida-actual/pareja-vida/2025/06/02/juntos-pero-no-revueltos-parejas-til-la-nueva-tendencia-en-las-relaciones-amorosas.shtml Acesso em 15/12/2025.
Cf. La tercera (2025,10,25), "Las parejas que se casan, pero deciden no vivir juntos: la nueva tendencia en las relaciones amorosas". Disponível em: https://www.latercera.com/tendencias/noticia/las-parejas-que-se-casan-pero-deciden-no-vivir-juntos-la-nueva-tendencia-en-las-relaciones-amorosas/ Acesso em 15/12/2025.
[2] INE (2025,09,15), Boletín Coyuntural de Estadísticas Vitales, junio 2025. Disponível em:
https://www.ine.gob.cl/sala-de-prensa/prensa/general/noticia/2025/09/15/nacimientos-y-matrimonios-disminuyeron-en-junio-de-2025#:~:text=Matrimonios%20y%20AUC,6%2C7%25%20del%20total Acesso em 15/12/2025.


