Hoje, a sextech, um ramo em expansão do boom da IA, está se tornando cada vez mais parte do faire couple.
Por meio de um aplicativo para celular, brinquedos sexuais agora podem ser controlados e sincronizados com um parceiro à distância ou com um estranho do outro lado do mundo. Essa tecnologia se tornou especialmente popular durante o período da pandemia. Ela ofereceu uma maneira de conectar casais não apenas por telefone ou vídeo, mas também por meio de um proxy tecnológico de toque.
Novos brinquedos podem responder à voz do parceiro, variando a intensidade: "pense nisso como uma carta de amor do século XXI", escreve um artigo1. A natureza discreta de alguns deles permite seu uso além do quarto, adicionando surpresa, com usuários sendo estimulados por seus parceiros aleatoriamente ao longo do dia.
Em um anúncio da Lovense, uma esposa se irrita com o ronco e os ruídos de mastigação de seu marido, ela então o ignora pela manhã2. Na noite seguinte, o anúncio a mostra gravando os roncos dele com um aplicativo de smartphone, que sincroniza esses sons via Bluetooth com o ritmo de seu brinquedo sexual. O anúncio promete "transformar qualquer som desagradável em prazer", graças ao brinquedo sexual, na manhã seguinte o casal está afetuoso novamente.
Outros produtos não dependem de um parceiro. Em vez disso, o objetivo é aprimorar o autoerótico, sincronizando as carícias ou vibrações do brinquedo com a pornografia, seja ela sonora ou visual3. A "escopia-corporal"4 imaginária parece não ser mais suficiente. Busca-se ainda um outro mais-de-gozar, simulado no nível do corpo real.
[1] Dispovível em : Smith, S.L., "The Best Sex Toys of CES 2025," https://gizmodo.com/the-best-sex-toys-of-ces-2025-2000549273 Acesso em 22/09/2025.
[2] Dispovível em : https://www.lovense.com/scenarios/scene/sync-sex-toy-sounds Acesso em 22/09/2025.
[3] Disponível em : Smith, S.L., "The Best Sex Toys of CES 2025," op. cit.
[4] Miller, J.-A., O inconsciente e o corpo falante, In: Scilicet – O corpo falante. Sobre o inconsciente no século XXI, São Paulo, Escola Brasileira de Psicanálise, 2026, p. 22.


